Crianças com TAG ficam preocupadas o tempo
todo e essas preocupações podem ser sobre coisas como o desempenho na escola, a
saúde dos pais ou até mesmo situações simples, como o medo de que algo vá dar
errado, mesmo sem motivo aparente.
Por exemplo, ficar preocupada dias antes de
uma viagem em família, pensando que pode esquecer algo importante ou que algo
de ruim vai acontecer durante o passeio. Também pode ter medo de errar uma
resposta na aula, mesmo que seja algo que saiba bem. Essas preocupações
acabam tomando tanto espaço que a criança sente dores de cabeça, dor na barriga
ou até tem dificuldades para dormir. Além disso, fica tensa, irritada ou
cansada por estar constantemente preparada para o que acredita que pode dar
errado.
O que diferencia o TAG das preocupações
normais é a intensidade e a frequência desses medos, que passam a afetar
a rotina diária. Em vez de ficar ansiosa por algo específico e pontual, a
criança com TAG permanece em estado de alerta de forma constante. Isso interfere
diretamente no desenvolvimento emocional e na capacidade de aproveitar
momentos que deveriam ser tranquilos e prazerosos.
Se você está percebendo que seu filho vive
preocupado ou tenso sem um motivo aparente, isso pode ser um sinal de que é
hora de buscar ajuda. Quando a ansiedade é tratada cedo, é possível reduzir
significativamente o impacto no dia a dia da criança e da família.
SINAIS COMUNS DE TAG EM CRIANÇAS: COMO
IDENTIFICAR
O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) em crianças se manifesta de
várias formas e reconhecer é o primeiro passo para buscar a ajuda necessária. Aqui
estão os principais sinais:
👉 Preocupações excessivas: A criança
pode ficar constantemente preocupada com o futuro, desde o desempenho na escola
até preocupações mais vagas, como algo ruim acontecendo com a família. Essas
preocupações geralmente não têm causa clara e são difíceis de controlar.
👉 Dificuldade para dormir: As
preocupações podem invadir o momento de descanso, fazendo com que a criança
tenha dificuldade para pegar no sono ou acorde várias vezes durante a noite.
👉 Dores físicas sem motivo aparente: Crianças
com TAG podem sentir frequentemente dores de barriga, de cabeça ou outros
desconfortos físicos, que muitas vezes não têm uma explicação médica.
👉 Irritabilidade e agitação: Devido ao
estresse constante, a criança pode ficar mais irritada ou impaciente com
facilidade, demonstrando maior sensibilidade a pequenas frustrações do dia a
dia.
👉 Medo de fracassar: Medo de errar ou de não ser
boa o suficiente pode ser um sintoma muito comum. Ela pode evitar certas
atividades ou sentir que precisa ser perfeita em tudo que faz, o que gera mais
ansiedade.
Se você reconhecer alguns desses sinais no seu filho, é importante ficar
atento e observar se isso está impactando sua rotina e bem-estar. O TAG pode
ser tratado e controlado com a ajuda de um profissional.
COMO O TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA
IMPACTA O DESENVOLVIMENTO ESCOLAR
O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) em crianças tem um impacto
significativo no desenvolvimento escolar. Quando uma criança vive com
preocupações constantes e intensas, vai ter sua capacidade de se concentrar nas
atividades diárias diretamente afetada.
Elas se preocupam tanto em fazer tudo perfeito ou em não cometer erros
que acabam paralisadas, o que afeta o rendimento escolar. Por isso, crianças
com TAG podem ter dificuldades em acompanhar o ritmo das aulas.
Outro ponto importante é que a ansiedade constante prejudica a
capacidade da criança de lidar com a pressão de provas, trabalhos e
apresentações. Ela pode acabar se sentindo sobrecarregada e ver o desempenho
caindo, mesmo que estude e se esforce bastante.
Muitas vezes, os professores não percebem que o motivo da dificuldade de
aprendizado ou da baixa participação está relacionado à ansiedade, o que pode
levar a mal-entendidos. Por isso, a parceria entre os pais e a escola é
essencial para oferecer o suporte adequado à criança.
A comunicação aberta com os professores permite que eles saibam que seu
filho está enfrentando desafios com a ansiedade, e assim, possam adotar medidas
de suporte como oferecer prazos mais flexíveis ou proporcionar momentos de
pausa na rotina escolar.
Os pais também podem sugerir que a escola desenvolva atividades que
incentivem a criança a interagir de forma mais gradual com os colegas, para que
ela não se sinta exposta demais, mas vá construindo suas habilidades sociais
aos poucos.
Técnicas que a criança aprende na terapia, como exercícios de respiração
e formas de lidar com pensamentos ansiosos, podem ser implementadas na sala de
aula, com o professor lembrando a criança de usá-las em momentos de maior
estresse.
Com o suporte certo, tanto em casa quanto na escola, é possível ajudar a
criança a se sentir mais segura, tranquila e capaz de superar os desafios do
ambiente escolar, sem deixar que a ansiedade interfira no seu aprendizado e
desenvolvimento social.
HISTÓRIA DE SUCESSO: SUPERANDO O TAG INFANTIL
Ana*, uma menina de 8 anos, vivia constantemente preocupada com a
escola, com o que os colegas pensavam dela e, até mesmo, com coisas que
pareciam pequenas, como se havia esquecido de fazer a lição de casa ou se seus
pais chegariam em segurança do trabalho.
Essas preocupações faziam parte do seu dia a dia e começaram a afetar
seu sono, seu apetite e até suas notas escolares. Os pais de Ana perceberam
que, diferente de outras crianças, ela parecia incapaz de relaxar e aproveitar
os momentos simples da infância.
Foi então que decidiram procurar ajuda profissional e, após uma
avaliação, Ana foi diagnosticada com Transtorno de Ansiedade Generalizada
(TAG). A partir daí, começou um caminho de superação, com sessões regulares de
terapia cognitivo-comportamental (TCC).
Na terapia, Ana aprendeu a reconhecer seus pensamentos ansiosos e a
lidar com eles de uma maneira mais saudável. Por meio de técnicas de
respiração, jogos terapêuticos e atividades práticas, ela foi pouco a pouco
recuperando sua confiança.
Um dos maiores pontos de virada foi o apoio familiar. Os pais de Ana
aprenderam, com a terapeuta, a validar os sentimentos da filha e a criar um
ambiente acolhedor em casa, onde ela podia expressar suas preocupações sem
medo.
Ao invés de tentar afastar ou minimizar as ansiedades de Ana, os pais
passaram a ouvi-la com atenção e a praticar, junto com ela, as técnicas
aprendidas na terapia. Com o tempo, Ana começou a se sentir mais segura em
lidar com seus medos e preocupações. As noites mal dormidas se tornaram menos
frequentes, ela voltou a se divertir na escola e, aos poucos, seu brilho
natural começou a aparecer novamente. Embora a ansiedade não tenha desaparecido
por completo, Ana agora tem as ferramentas e o apoio para enfrentá-la.
A história de Ana é um exemplo de como a intervenção precoce e o
envolvimento da família podem fazer toda a diferença no tratamento do TAG. Cada
criança tem o potencial de superar suas ansiedades.
COMO CONVERSAR COM SEU FILHO SOBRE ANSIEDADE E
PREOCUPAÇÕES: O PAPEL DOS PAIS
Conversar com seu filho sobre ansiedade pode parecer um desafio, mas é
uma das maneiras mais eficazes de ajudá-lo a lidar com suas preocupações. Mas
como começar essa conversa de maneira tranquila e sem pressões? Vamos ver
algumas dicas práticas.
Às vezes, as crianças não
sabem como expressar o que estão sentindo, então cabe aos pais criar um
ambiente seguro e acolhedor para que elas possam falar sobre seus medos. Então,
primeiro procure momentos de calma para iniciar o assunto.
Não precisa ser uma conversa formal, pode acontecer durante uma
atividade do dia a dia, como no caminho da escola ou enquanto desenham juntos.
Você pode começar com uma pergunta simples, como: Eu notei que você está um pouco preocupado
ultimamente. Quer me contar o que está acontecendo?”
Essa abordagem mostra que você está atento e disponível para ouvir, sem
forçar a criança a falar.
Outra boa estratégia é validar os sentimentos do seu filho. Crianças com ansiedade podem sentir que seus medos são “bobos”
ou “exagerados”. Você pode dizer algo como: “Eu sei que às vezes
parece assustador. É normal se sentir assim, mas estou aqui para te ajudar a
passar por isso.”
Isso faz com que a criança se sinta compreendida e segura para
compartilhar mais.
Usar exemplos práticos do cotidiano também pode ajudar a abrir o
diálogo. Se você notar que seu filho está ansioso antes de uma prova, pode
dizer: “Eu vejo que você está preocupado com a prova. Você quer conversar
sobre como podemos fazer para você se sentir mais confiante?”
Oferecer soluções junto com a criança ajuda a criar uma sensação de
controle, o que é essencial para diminuir a ansiedade.
Além de perguntas diretas, você pode tentar falar sobre seus próprios
sentimentos para incentivar seu filho a se abrir. Por exemplo: “Quando eu tinha sua idade, eu também
ficava nervoso com algumas coisas. Você sente isso também às vezes?”
Reserve um momento em que vocês possam refletir juntos sobre como foi o
dia, identificando o que foi positivo e o que causou preocupações. Isso pode
ajudar a criança a organizar seus pensamentos e reduzir as preocupações
excessivas.
Também é útil incentivar o uso de técnicas de relaxamento, como respirações profundas ou um momento de descanso antes de dormir.
Lembre-se: a
chave é estar presente e disponível. Quanto mais o seu filho sentir que pode
contar com você, mais seguro ele vai ficar.
Que tal iniciar uma conversa aberta com seu filho hoje?
A CONVERSA MAIS IMPORTANTE COMEÇA NO CONTROLE
DO VIDEOGAME
Uma pesquisa com quase 10 mil crianças
acompanhadas ao longo de dois anos mostrou que jogos digitais que exigem tomada
de decisão, ajuste de estratégia e persistência diante do erro, como é o caso
do Super Mario Bros, estão associados a ganhos em memória operacional, atençãoe flexibilidade cognitiva.
Isso não significa que videogame é bom por si
só, nem que tempo de tela é neutro. Significa que o que a criança faz dentro do
jogo importa e que o Super Mario tem algo muito promissor a oferecer.
O jogo é, na sua essência, uma sequência de
tentativas e erros dentro de um ambiente seguro. A criança cai no buraco, perde
uma vida e recomeça. Ela pode ficar presa numa fase por dias, mas tenta de
novo, descobre um atalho e passa.
Por mais que não pareça a princípio, nesse
ciclo todo, ela está treinando algo muito importante, que é a tolerância à
frustração, uma das habilidades que a ansiedade costuma destruir.
Quando a criança finalmente passa naquela fase
que parecia impossível, ela grita, comemora, fica feliz e é, exatamente nessa
hora, que dá para intervir com uma frase simples como “você tentou bastante até
conseguir, percebeu isso?” Ou com uma pergunta genuína: “uau, você finalmente
conseguiu, como fez isso?”
O objetivo não é elogiar o resultado, mas
fazê-la notar o que aconteceu ali. Uma criança que aprende a reconhecer a
própria persistência dentro de um jogo começa, aos poucos, a encontrar essa
mesma persistência em outros lugares, porque o que ela está treinando não é só
passar de fase, é acreditar que tentar de novo faz diferença.
A ansiedade, em grande parte, é uma tentativa
de evitar justamente isso: o erro, o desconforto, a incerteza de não saber se
vai dar certo. O Super Mario coloca a criança na frente de tudo isso, mas numa
dose que ela consegue tolerar, dentro de um contexto leve, sem consequências
reais.
Na clínica, o jogo vira um espaço para
observar como a criança lida com o que não controla: ela troca de estratégia ou
trava na mesma tentativa? Pede ajuda ou prefere desistir? Essas respostas dizem
muito e o próprio jogo abre a conversa de um jeito que uma pergunta direta nunca
alcançaria.
Mas o recurso mais poderoso de todos é a
modelagem, que é mostrar, ao vivo, como lidamos com o erro. Quando o adulto
joga junto, cai no mesmo buraco, ri, tenta diferente e pede ajuda sem vergonha,
a criança ansiosa observa tudo isso com uma atenção que você não imagina.
Ela quer saber o que acontece quando algo dá
errado. Se o que ela vê é um adulto que continua, que não catastrofiza, que
trata o erro como parte do processo, isso entra nela de um jeito que nenhuma
conversa consegue alcançar. A criança aprende regulação emocional muito mais
pelo que vê do que pelo que ouve.
Se o seu filho já ama o Mario, você já tem uma
ferramenta em casa. Basta estar presente, jogar junto às vezes e, quando a
superação aparecer, reconhecê-la em voz alta. Isso já é muito.
O Transtorno de Ansiedade Generalizada pode
impactar diferentes áreas da vida da criança, mas existem formas eficazes de
intervenção. Com identificação adequada, apoio familiar e acompanhamento
profissional, a criança pode desenvolver recursos para lidar melhor com a
ansiedade.
O objetivo não é eliminar completamente a
ansiedade, mas reduzir seu impacto e ampliar a capacidade de enfrentamento.
TERAPIA PARA LIDAR COM ANSIEDADE INFANTIL
