Laila Braga Barbosa. Tecnologia do Blogger.

Seu filho tem medo de errar e isso está travando muito mais do que as notas

 




ANSIEDADE DE DESEMPENHO NA INFÂNCIA: O MEDO DE ERRAR, A AUTOCRÍTICA E O JEITO CERTO DE ELOGIAR


O medo de errar é um dos sinais mais comuns da ansiedade de desempenho na infância, e também um dos mais difíceis de identificar, justamente porque costuma aparecer disfarçado de dedicação.


A criança que estuda mais do que precisa, que refaz exercícios que já estão certos, que evita atividades novas e que nunca está satisfeita com o próprio resultado pode estar, na verdade, respondendo a um estado interno de alerta constante em relação ao desempenho. Crianças com ansiedade de desempenho atribuem sua preocupação à necessidade de fazer bem e ao medo de cometer erros, e essa preocupação vai muito além do que a situação justifica. Ou seja, o problema está na intensidade e na frequência da resposta, e não na exigência em si.

 

O que acontece no corpo e na mente durante uma situação de desempenho?


Pesquisas da Universidade de Harvard mostram que o estresse crônico reduz a capacidade de concentração e prejudica o processamento de informações. Dessa forma, a criança que mais se preocupa com a prova, por exemplo, é a que tem mais dificuldade de acessar o que sabe, criando um ciclo que reforça exatamente o medo que tentava evitar.


No dia a dia, a ansiedade de desempenho pode aparecer como recusa em participar de atividades competitivas, choro ou explosão emocional diante de resultados abaixo do esperado, procrastinação intensa antes de tarefas difíceis, comparação frequente com colegas e busca constante por confirmação dos pais e professores.


Um detalhe importante: ansiedade de desempenho se apresenta em crianças com bom e com baixo desempenho escolar. A nota alta não descarta o problema. Em alguns casos, ela é exatamente a consequência do nível de pressão que a criança exerce sobre si mesma.




A AUTOCRÍTICA QUE O DESEMPENHO NUNCA CONSEGUE SATISFAZER



Quando o esforço do seu filho nunca parece suficiente para ele mesmo, é hora de prestar atenção. Existe uma diferença importante entre a criança que quer melhorar e a criança que sente que nunca é boa o suficiente. A primeira tem uma relação saudável com o desempenho: ela busca crescer, tolera os erros como parte do caminho e consegue reconhecer quando fez bem. A segunda está presa num ciclo de autocrítica que o desempenho, por melhor que seja, raramente consegue interromper.


Esse segundo perfil é característico da ansiedade de desempenho. A criança estrutura sua autoestima quase inteiramente sobre o resultado do que produz, e dessa forma qualquer resultado abaixo do ideal interno, que costuma ser muito alto, é vivido como uma ameaça à própria identidade.


Isabel tinha 10 anos quando a mãe percebeu o padrão. A menina chegava da escola, mostrava um trabalho que havia recebido elogios da professora e imediatamente apontava três coisas que “poderia ter feito melhor”. Quando a mãe dizia que o trabalho estava lindo, Isabel respondia: “Mas eu errei aqui, e aqui ficou torto, e aqui eu podia ter colocado mais detalhes”. O elogio nunca chegava ao destino.


O que parecia exigência saudável era, na prática, um sinal de que Isabel havia aprendido a olhar para a própria vida exclusivamente pelos olhos do que faltava. Nesses casos, o caminho terapêutico é ajudá-la a construir uma relação com o esforço que seja independente do resultado perfeito.


Você reconhece esse padrão no seu filho?


O ELOGIO QUE PODE ESTAR ALIMENTANDO A ANSIEDADE


A maioria dos pais elogia o filho de três formas: “você é inteligente”, “você é incrível” ou “estou muito orgulhoso de você.” Essas frases vêm de um lugar de amor genuíno. No entanto, algumas pesquisas mostram que elogios centrados na identidade da criança e não no processo, podem gerar exatamente o oposto do que os pais desejam.


Carol Dweck, pesquisadora da Universidade de Stanford, demonstrou que crianças elogiadas pela inteligência tendem a evitar desafios por medo de parecer menos inteligentes quando erram. Ou seja, o elogio que pretendia motivar passa a funcionar como uma armadilha: a criança protege a identidade de “inteligente” evitando situações onde pode falhar. Logo, a solução está em deslocar o elogio da identidade para o processo


Frase como “Eu percebi que você tentou várias vezes antes de conseguir. Isso é o que importa.” Ou “Você ficou nessa parte difícil sem desistir. Isso me impressionou.”, costumam trazer resultados melhores. Esses elogios constroem uma relação com o esforço que permanece estável mesmo quando o resultado é ruim.


Além disso, quando a criança chega com resultado abaixo do esperado, ajude-a a nomear o que sentiu, dizendo algo como: “Eu sei que você ficou frustrado. O que foi mais difícil dessa vez?” Depois, redirecione para o processo: “O que você acha que pode ser diferente na próxima tentativa?”. Essa sequência mantém a criança no papel de protagonista do próprio aprendizado, e não de vítima do próprio resultado.


Em resumo: Fale sobre o que a criança fez, e não sobre quem ela é. Foque no esforço, na estratégia e na persistência. Celebre o processo mesmo quando o resultado não foi o esperado. Uma mudança pequena no jeito de elogiar pode mudar significativamente a relação do seu filho com o desempenho ao longo do tempo.

 


A COPA DO MUNDO COMO ESPELHO DA ANSIEDADE DE DESEMPENHO


A Copa do Mundo é um dos poucos momentos em que a ansiedade de desempenho aparece completamente descoberta, sem a mediação que a escola ou o cotidiano impõem.


Quando a criança torce, ela está completamente entregue a um resultado que não controla. E o sistema nervoso ansioso, que funciona em alerta constante em relação ao desempenho, responde a esse estado com a mesma intensidade que responde a uma prova difícil ou a uma apresentação importante: coração acelerado, estômago apertado, dificuldade de sentar, pensamentos catastróficos sobre o que vai acontecer se o time perder. A diferença é que durante o jogo, os pais veem isso acontecer em tempo real.


A Copa do Mundo é uma oportunidade genuína para observar como seu filho lida com situações de pressão e resultado incerto, e para praticar as respostas que também vão funcionar fora do campo.


Quando o Brasil tomar um gol, em vez de reagir com frustração, tente nomear junto com ele: “Puxa, que momento difícil. O que você está sentindo agora?” Quando o jogo terminar, independentemente do resultado, converse sobre o esforço: “Você viu como eles continuaram tentando mesmo quando estava difícil?”


Essas conversas parecem simples, mas ensinam à criança uma relação com o desempenho que vai muito além do futebol.

 

SEU FILHO CHORA QUANDO O BRASIL PERDE? ISSO DIZ MAIS SOBRE A ANSIEDADE DELE DO QUE SOBRE O FUTEBOL.


A reação da criança durante um jogo de futebol é um dos espelhos mais honestos da forma como ela lida com resultado e frustração no cotidiano. A criança com ansiedade de desempenho investe emocionalmente de forma intensa em situações de resultado incerto, e o jogo de futebol é uma dessas situações por excelência.


O time vira uma extensão do próprio desempenho: quando o Brasil marca, ela sente o alívio de quem tirou uma nota boa. Quando o Brasil sofre um gol, ela sente o desconforto de quem errou na prova.


A questão não é a intensidade da torcida. É bonito ver crianças que torcem com intensidade. A questão é o que acontece quando o resultado não é o esperado: a criança consegue continuar assistindo? Consegue nomear o que está sentindo? Consegue, após o jogo, conversar sobre o que aconteceu sem que a frustração domine completamente a experiência?


Quando a resposta é não, esses momentos se tornam uma oportunidade prática para trabalhar a tolerância à frustração. Em vez de minimizar a reação do filho, ajude-o a nomear o que está sentindo, dizendo algo como: “Eu sei que ficou frustrado. É muito chato quando acontece assim. O que você está sentindo agora?”


Só isso já faz diferença.

 

O QUE ACONTECE NA PRIMEIRA SESSÃO DE PSICOLOGIA INFANTIL?


Você já teve essa dúvida? Ela é bem recorrente e talvez te trave na hora de dar o primeiro passo. O que faz sentido, já que, ninguém quer levar o filho para algo que não entende.

Não existe uma regra, mas a minha primeira sessão começa com os pais e com a criança presente. É um momento para que eu possa ter o primeiro contato como vocês e coletar algumas datas relevantes.


Em um outro momento da sessão, fico só com os responsáveis para que eles possam contar o que estão observando, quando os comportamentos começaram, o que já tentaram e o que os preocupa. Esse histórico é essencial para que o processo terapêutico comece com clareza.


A criança entra depois sozinha, e o que acontece em seguida depende muito da faixa etária. Com crianças pequenas trabalho predominantemente através do brincar, do desenho, da construção e da narrativa. Não existe um interrogatório. Não existe pressão para falar. O espaço terapêutico é estruturado de forma que a criança se comunique da maneira que for natural para ela, e é dentro dessas comunicações que o trabalho clínico acontece.


O sigilo é garantido. O que a criança compartilha dentro do consultório é confidencial, inclusive em relação aos pais, com exceção de situações que envolvam risco à segurança. Isso não significa que os pais ficam de fora do processo, muito pelo contrário. Sessões de orientação parental acontecem de forma regular, porque o contexto familiar é parte fundamental do que está sendo trabalhado.


Não existe um número fixo de sessões. O ritmo é determinado pela criança, pela demanda e pelo processo. O que os pais costumam relatar, independentemente do tempo de acompanhamento, é que as mudanças começam a aparecer antes do que esperavam.


Se você tem dúvidas sobre como funciona ou se o momento é o certo para buscar ajuda, me chama no WhatsApp.

 


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