A PRIMEIRA SESSÃO começa com os pais e a criança juntos — é o momento do primeiro contato e da coleta de informações iniciais.
Em seguida, fico a sós com os responsáveis para ouvir o que estão observando: quando os comportamentos começaram, o que já tentaram, o que preocupa. Esse histórico é essencial para que o processo comece com clareza.
Depois, a criança entra sozinha. O que acontece a partir daí depende da faixa etária. Com crianças pequenas, o trabalho acontece predominantemente através do brincar, do desenho, da construção e da narrativa. Não existe interrogatório ou pressão para falar. O espaço é estruturado para que a criança se comunique da forma mais natural para ela e é dentro dessas comunicações que o trabalho clínico acontece.
A quantidade de sessões vai variar caso a caso. Não existe limite.
O SIGILO:
O que a criança compartilha dentro do consultório é confidencial, inclusive em relação aos pais, com exceção de situações que envolvam risco à segurança.
Isso não significa que os pais ficam de fora. Sessões de orientação parental acontecem de forma regular, porque o contexto familiar é parte fundamental do que está sendo trabalhado.
O PROCESSO AO LONGO DO TEMPO:
As sessões são semanais, especialmente no início. Isso garante continuidade e ritmo: cada encontro retoma o que foi trabalhado, aprofunda o que surgiu no intervalo e mantém o processo avançando. Espaços muito longos entre sessões tendem a desacelerar as mudanças e prolongar o tratamento.
Não existe um número fixo de sessões. O ritmo é determinado pela criança, pela demanda e pelo processo. Com o tempo, conforme a criança ganha autonomia e os sintomas se estabilizam, o espaçamento pode ser ajustado juntos.
O que os pais costumam relatar, independentemente do tempo de acompanhamento, é que as mudanças começam a aparecer antes do que esperavam.
COMO O TRABALHO ACONTECE DENTRO DA SESSÃO?
O brincar sempre foi a linguagem da criança e na terapia não é diferente. Jogos, desenhos, construções e narrativas não são entretenimento na sessão, são janelas para observar como a criança reage emocionalmente, como lida com a frustração, com o erro, com o desafio.
Quando uma criança joga, por exemplo, é possível observar o que acontece quando ela perde uma fase ou comete um erro. Ela tenta de novo? Fica irritada? Diz que é ruim? Desiste rápido ou persiste?
Essas reações dentro do brincar são um reflexo de como ela lida com os desafios da vida.
É exatamente aí que o trabalho terapêutico entra: identificando os pensamentos que aparecem, explorando novas estratégias, conversando sobre frustração, persistência e conquista de um jeito que a criança consegue absorver.
A TERAPIA NÃO VAI CONTRA VOCÊ
Uma preocupação comum dos pais é se a terapia pode entrar em conflito com a forma como educam seus filhos. A resposta é não.
Na terapia infantil, eu não chego impondo regras ou mudando o que você acredita sobre educação. Sigo na direção dos seus valores. Se seu filho não tem acesso a telas, não vou introduzir tela na terapia em nenhuma hipótese. Se ele já usa e já gosta de jogos ou vídeos, posso usar isso como ferramenta — não para aumentar o uso, mas como ponte para engajamento e para ampliar repertório.
Quando alguma prática parental entra em conflito com o que a ciência mostra, você será informado e orientado sobre isso, mas nunca de forma impositiva. A terapia é um espaço de construção, não de confronto.
Iniciar um acompanhamento psicológico requer coragem e honestidade com você mesmo. Não se envergonhe por querer cuidar da sua saúde mental ou da dos seus filho e entenda que com esse cuidado, todos os outros aspectos da sua vida iram melhorar automaticamente.
Ficou com alguma dúvida? Me manda uma mensagem 💜


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